“SABORES DA MONTANHA”
Salão dos produtores - Visconde de Mauá

“Exige um profundo conhecimento e bastante sensibilidade, para descrever cada sentido e avaliar as diferenças e as semelhanças entre cada toque de sabor trazido pelo alimento e pela bebida”(Revista Gula)
Famosa pela excelente qualidade dos hotéis e restaurantes, Visconde de Mauá esconde outro tesouro gastronômico: os produtos fabricados artesanalmente, nos sítios e fazendas da região, que levam você a uma viagem do mais puro sabor.
Negócios pequenos, freqüentemente na própria casa do dono, a matéria prima farta e acessível, seja nas hortas regadas com a água cristalina de nascentes seja nas criações caipiras de fundo do quintal, a mistura equilibrada de temperos dos antigos mineiros com um toque de sofisticação dos novos imigrantes, fazem dessa receita um absoluto sucesso.
A proposta de um ‘Salão de Produtores” para exposição, degustação e venda de produtos da região, surgiu da necessidade de reunir, em um só espaço, a produção alimentar artesanal de Visconde de Mauá. Nessa farta e convidativa mesa, você poderá provar: queijos de todos os tipos e variedades, lingüiças de todos as carnes, bolos, doces, geléias e chocolates, produtos frescos e orgânicos, mel e cachaças de diferentes sabores, e alimentos da floresta, como o pinhão e outros.
O evento acontecerá no dia 18 e 19 de maio, junto com o Concurso Gastronômico do Pinhão, já conhecido nacionalmente.
“O paraíso culinário fica bem perto. É só subir a montanha”
A CULINÁRIA DE VISCONDE DE MAUÁ ATRAVÉS DOS TEMPOS
Foi através dos tropeiros e seus burros de carga, levando mantimentos do litoral para as Minas Gerais que os campos altos da Mantiqueira serviram de imediato à criação de gado e dos burros de carga. (Relatório Mantiqueira) Assim também, que a serra começou a ser povoada. As provisões alimentares básicas eram: feijão, carne seca, toucinho, rapadura, café e farinha de mandioca. Em seguida, o café plantado ao longo dos morros, no sopé da serra, trouxe algum movimento, mas, rapidamente, se esgotou.
Mas , foi só com a Criação do Núcleo Colonial de Visc. de Mauá(1908), e a vinda de imigrantes alemães e suíços que se dá a ocupação definitiva destas terras pelo homem). Frutas de clima temperado, cereais, tubérculos e a criação de gado de raça eram as prioridades. . O objetivo era que, esta colônia, se transformasse em centro abastecedor do mercado de alimentos da capital, o Rio de Janeiro. Mas, não deu certo, principalmente pelo acesso difícil. Nessa época, as dificuldades eram tantas que, muitas vezes o pinhão(semente da araucária) era a principal alimentação desses imigrantes. Foi quando os mineiros compraram os lotes dos imigrantes e passaram a cuidar da criação de gado leiteiro, instando várias “fabriquetas de queijo”, que eram vendidos em Resende e até no Rio de Janeiro. Os imigrantes que ficaram, aproveitando o “clima alpino”, começaram a receber os primeiros turistas nas suas próprias casas, e oferecendo quitutes preparados nos fogões a lenha.
O ÊXODO URBANO
Nos anos 70/80, diante da crise leiteira, as terras da região começam a ser vendidas para pessoas das grandes cidades, que vinham em busca de uma vida alternativa e maior contato com a natureza.
Até então, o nativo sobrevivia do leite, produzido por algumas vacas, com o mel colhido nas colméias e a lavoura de milho e feijão, para si e sua família. Roçar pastos, tratar rebanhos, transformar o leite em queijos e manteiga, cuidar de galinhas e porcos, faziam parte de sua rotina diária(Alex Branco )
Os novos imigrantes aproveitam e resgatam produtos tradicionalmente produzidos na região, dando um toque sofisticado.
A procura cada vez maior de Visconde de Mauá, como destino turístico, e o sucesso do Concurso Gastronômico do Pinhão, elevou a qualidade e diversificou a oferta culinária na região fomentando o aparecimento de excelentes restaurantes, e de produtos artesanais de excelente qualidade, que transformaram Visconde de Mauá num pólo gastronômico reconhecido nacionalmente.
A ALIMENTAÇÃO HOJE
A alimentação é o principal problema da humanidade, diz respeito à sua sobrevivência e à preservação da espécie.
Através dos séculos a alimentação fazia parte da vida do homem, não só para saciar a fome, mas como congraçamento, confraternização, comemoração, rituais religiosos, conquistas amorosas, trocas e contratos comerciais, ou simplesmente, motiva a reunião das famílias em torno da mesa.
Na sociedade moderna isso acabou. Comer ou degustar com tranqüilidade, em momentos especiais da vida, foi substituído por uma refeição cheia de veneno e química, engolida às pressas, para não perder tempo.As conseqüências dessa atitude verificam-se na forma de doenças diversas: obesidade, estresse, transtornos, câncer, etc.
O mundo resolveu assumir um estilo de vida mais natural. Está mudando hábitos alimentares e adotando atitudes mais saudáveis. Os consumidores querem verduras sem veneno, alimentos sem aditivos e químicas, água limpa para beber, cereais e produtos naturais e orgânicos, qualidade de vida através da qualidade da alimentação.
Não adianta ter quantidade de alimentos, se não forem saudáveis.
É necessário procurar novas fórmulas de interação e equilíbrio entre o ser humano e a natureza.
CONCLUSÃO:
Seja pela dificuldade de acesso, pela geografia mais complexa ou a falta de comunicação, Visc. de Mauá ficou durante muito tempo isolada do mundo.
Talvez por isso, conseguiu manter preservada sua natureza, e conservar alguns elementos de uma cultura tradicional mineira, com um jeito meio rural de ser.
A forma de plantar milho e feijão em rodízio, deixando a terra descansar em capoeiras, a criação de gado e de cabras, e a decorrente produção de diversos queijos, doces de leite, de figo, de abóbora, de laranja, goiabadas cascão, geléias de amora, de jabuticaba, de morangos silvestres, pão de mel e chocolates diversos e os limões e os pinhões que dão em fartura inacreditável mato a dentro, , o mel orgânico com um pasto rico e diversificado de flores silvestres e enfim, a cachaça purinha, que afugenta o frio no inverno e a tristeza no verão. As trutas criadas em tanques e que já povoam também nossos rios. As hortas plantadas em torno das casas perto dos galinheiros. E o pinhão e seu sabor especial, utilizado em várias receitas, redescoberto pelos chefs que moram na região.
É o resgatar o passado, para melhorar o futuro da alimentação, com uma produção ligada a natureza, a comida feita com as mãos.
É acreditar no trabalho da produção de alimentos orgânicos, no incentivo à produção local e na contribuição para uma alimentação mais saudável para todo mundo.
Convidamos você para essa viagem do mais puro sabor gastronômico.
“AROMAS E SABORES DA MONTANHA”
Salão de Produtores de Visconde de Mauá
Exposição, degustação e venda de produtos artesanais.
“Este é o momento em que o homem volta-se para si mesmo.
Todos estão cansados de tantos muros, nostálgicos de espaço, de céu, de trilhas na mata, do frescor de cachoeiras, de bate-papo em torno do fogo, compartilhando alimentos saudáveis...
Todos estão saudosos de suas origens, esvaziados de energias, necessitados de revitalização.
(Maria Olímpia)
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